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México quebra seus recordes

Nestes dias, muita gente está voltada para o Campeonato Mundial de Atletismo, que decorre em Londres, e de onde emergem noticias sobre resultados e recordes. Há, também, outras informações que guardam relação com estatísticas. Uma delas envolve o México, mas, infelizmente, nada tem a ver com o esporte e sim com o aumento sistemático da violência e da morte.

Os primeiros seis meses de 2017 bateram recordes no México em termos de violência: 12.155 homicídios. Se as coisas continuarem assim, no fim do ano haverá 24 mil, o maior número desde 1997 quando se começou a registrar tais ocorrências.

Os meses mais duros foram maio com 2.191mortos em conseqüência da violência, e junho com 2.234. Este último bateu todos os recordes anteriores.

Para ilustrar as estatísticas, em junho a cada vinte minutos foi assassinada uma pessoa. Convenhamos, é uma situação muito difícil para um país onde formalmente não se declarou um conflito armado, porém, na prática, é como se houvesse.

As causas são múltiplas, mas tudo começou quando o governo de Felipe Calderón – 2006 a 2012- aceitou a aplicação do chamado Plano Mérida, uma iniciativa dos EUA para levar o combate ao narcotráfico fora de seu território em troca de uma pequena ajuda econômica e militar. Em outras palavras: EUA fornecem as balas e o povo mexicano, os mortos.

A outra causa da generalização da violência é a elevada taxa de impunidade que existe devido à inoperância da polícia e da justiça. Apenas cinco por cento dos crimes são apurados judicialmente e só três por cento são punidos. Visto de outra perspectiva, 97 por cento das mortes permanecem sem castigo. Isto, naturalmente, encoraja os bandidos.

Um caso mundialmente conhecido é o dos 43 estudantes de Ayotzinapa, que sumiram há três anos e até agora as autoridades mexicanas não conseguiram dar uma explicação satisfatória a respeito.

A impunidade viaja acompanhada pela corrupção, que constitui outra razão pela que as mortes se tenham multiplicado desse jeito. Sabemos que o crime organizado, especialmente o narcotráfico, tem um enorme poder econômico e boa parte se utiliza para comprar vontades.

E, naturalmente, não existe uma verdadeira estratégia para enfrentar o problema. É verdade que alguns barões da droga foram capturados ou mortos durante confrontos, mas não se completou o desmantelamento das organizações criminosas.

Como resultado, houve guerras entre as gangues para assumir o controle, o que se traduz em mais violência. Ocorre que os bandidos diversificaram suas ações, o que torna mais difícil persegui-los e aniquilá-los.

Em 2016, houve, em total, 23.953 homicídios e do jeito que vão as coisas, este ano haverá mais. A espiral sobe diante dos olhos impassíveis dos que deveriam resolver a crise, que obriga a população a viver entre o medo e a morte. (Guillermo Alvarado)

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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